Opinião: “Caso Dedé” mostra isolamento da CBF e hipocrisia “brazuca”

Onefootball alexandrefernandes

Episódio lamentável na Argentina, pela Libertadores, não é exceção, mas ganha importância após trapalhadas de dirigentes na Copa do Mundo

Há três meses, na Rússia, a CBF traiu a Conmebol e votou contra seus “co-irmãos” da América do Sul no pleito que escolheu México, EUA e Canadá como sede da Copa do Mundo de 2026. A posição brasileira pegou muito mal e esperava-se que o “troco” viria rapidamente. E veio.

Na derrota por 2 a 0 do Cruzeiro para o Boca Juniors, em La Bombonera, pelas quartas de final da Copa Libertadores, a absurda expulsão do zagueiro Dedé foi apenas um episódio em que a CBF se mostrou absolutamente isolada e sem forças para cobrar algo da Conmebol.

Ao longo da história, não foram raros os casos em que times brasileiros foram claramente prejudicados pela arbitragem. Especialmente, em partidas contra argentinos e uruguaios. É fácil lembrar daquele Corinthians x Boca Juniors, em 2013, no Pacaembu, pela Libertadores. Uma rápida “googleada” refresca a memória dos mais esquecidos.

Houve um tempo, porém, em que a CBF (sabe-se lá como e à custa de quais favores) tinha grande força nos bastidores do futebol sul-americano. O “Caso Dedé”, no entanto, é um soco na cara do brasileiro devido ao uso do VAR (árbitro de vídeo), já que o juiz da partida teve todo o tempo do mundo para ver que o lance foi absolutamente involuntário por parte do zagueiro do Cruzeiro.

Hipocrisia de clubes brasileiros

Logo após a expulsão de Dedé, as redes sociais foram inundadas por mensagens revoltadas. Torcedores do Cruzeiro se indignavam com a situação. No dia seguinte, o clima de injustiça nos noticiários e “mesas redonda” era ainda maior. O grande problema é que essa indignação é extremante efêmera. Em breve cairá no esquecimento, ficando apenas nas lembranças dos cruzeirenses.

Dirigentes de outros clubes brasileiros se posicionaram pedindo “união”. Isso soa mais falso que nota de três reais. Os mandatários das equipes brasileiras não conseguem se unir para melhor o futebol praticado no Brasil. Não conseguem mudar o sistema vigente em uma eleição arcaica dentro da própria CBF. Como podem querer levantar a bandeira de algum tipo de “união” contra a “incompetência” da Conmebol?

Enfim, uma pena que o Cruzeiro tenha sido prejudicado dessa maneira. Uma pena ainda maior que não conseguimos nos organizar minimamente e que toda essa “revolta” fique apenas no campo do marketing pessoal.