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Marcos Monteiro

Da euforia, à decepção: a Libertadores 2018 para os brasileiros


Sete brasileiros, polêmicas extracampo e final histórica: um (longo) resumo da Libertadores.

Obsessão. Assim a Copa Libertadores é encarada pelos grandes clubes brasileiros.

Após o sorteio das chaves, no dia 20 de dezembro de 2017, o caminho até a final estava traçado. Com sete representantes na fase grupos – Brasil é o país com mais vagas na competição – a expectativa para que ao menos um dos times nacionais fosse até a final era grande.

Candidatos ao posto não faltaram, com bola rolando, porém, a história foi outra.

Primeira fase

Domínio verde e amarelo, quebra de tabus e torcedores animados.

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Com excessão do grupo 4, no qual o Flamengo ficou em segundo lugar, todos os outros grupos com brasileiros terminaram com os tupiniquins liderando. Mais do que isso, Palmeiras e Grêmio foram os donos das melhores campanhas e terminaram a fase de grupos invictos.

Na quarta rodada, o Verdão, então comandado por Roger Machado, foi até a Bombonera e conseguiu uma vitória histórica por 2 x 0, tornando-se o primeiro clube brasileiro a bater os anfitriões por esta diferença de placar.

Dentre os canarinhos, o único que deixou a desejar foi o Vasco. Com apenas uma vitória (na última rodada), o Cruzmaltino caiu ainda durante a fase de grupos.


Oitavas

Dentre sustos e polêmicas, três brasileiros fora. 

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Seis clubes brasileiros avançaram às oitavas de final. Metade deles caiu. O cruzamento foi ingrato com Flamengo e Cruzeiro, colocando os dois frente a frente. Em seu pior momento na temporada, o Flamengo deu adeus à disputa.

Com uma primeira fase de altos e baixos, o Corinthians tentava se reerguer após o desmanche na equipe. Sem as principais peças do primeiro semestre e com Osmar Loss em baixa, o Timão não conseguiu passar pelo limitado Colo-Colo, do Chile.

Já com Felipão, o Palmeiras visitou o Cerro Porteño e levou para São Paulo uma vantagem de dois gols. No Allianz Parque, Felipe Melo foi expulso aos três minutos e colocou tudo a perder. Com dez em campo durante toda a partida, o Palmeiras segurou a pressão e avançou após perder por 1 x 0.

Logo no primeiro jogo do mata-mata, o Grêmio sofreu. Frente ao poderoso Estudiantes, o time de Renato Gaúcho perdeu por 2 x 1, na Argentina, devolveu o mesmo placar em casa e avançou nos pênaltis.

Já o Santos teve o caso mais emblemático das oitavas. Após denúncia do Independiente, a Conmebol julgou o time de Vila como culpado pela escalação irregular do meia Carlos Sanchez, que entrou em campo mesmo suspenso.

A punição: perda dos pontos da primeira partida das oitavas. Com o 3 x 0 contra no placar, o Peixe não conseguiu reverter o resultado e caiu para o Independiente.


Quartas

Argentinos mostram sua força e superclássico passa a tomar forma.

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O cruzamento, mais um vez, foi ingrato com o torcedor celeste: Boca Juniors x Cruzeiro. Em um jogo envolvendo a polêmica expulsão de Dedé, os mineiros saíram da argentina com uma derrota por 2 x 0. No mineirão, empate em 1 x 1.

O Palmeiras não teve dificuldades em eliminar o Colo-Colo, de Valdívia, ídolo palmeirense. Com um placar que se repetiu nas duas partidas, o alviverde avançou às semis para enfrentar o Boca.

Tal qual os paulistas, o Grêmio não teve problemas para despachar o Atlético Tucumán. Venceu na Argentina e goleou em Porto Alegre.

Na outra partida das quartas, o River Plate passou pelo Independiente após empatar o primeiro jogo e vencer o segundo por 3 x 1.


Semis

Supremacia argentina.

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A semifinal de 2018 colocou em campo 12 títulos de Libertadores. Independente de quem avançasse à final, a expectativa era de jogão.

O Palmeiras foi à Bombonera com a expectativa de repetir o resultado histórico da fase de grupos. Não contava, porém, com Benedetto, definitivamente o nome das semifinais. O Porco perdeu de 2 x 0 fora, e empatou em 2 x 2 em casa. Melhor para o Boca.

O Grêmio começou melhor. Em um Monumental de Núñez com 60 mil pessoas, os gaúchos fizeram o dever de casa e venceram pelo placar mínimo. Saiu à frente também no jogo da volta, em Porto Alegre. Porém, em uma pane geral, deixou o River virar.

A final estava decidida: pela primeira vez na história, os rivais de Buenos Aires iriam decidir o título.


Final

Dos bastidores, à bola rolando: a final mais histórica da Libertadores.

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Tão logo o Boca Juniors se classificou à final a história passou a ser escrita. Na semana seguinte às semifinais, a prefeitura de Buenos Aires já tinha dado o recado: por questões de segurança, as datas precisariam ser mudadas.

Com reuniões políticas marcadas para a semana do segundo jogo, a polícia da capital argentina não contava com o contigente necessário para realizar a segurança do confronto. Desta forma, o primeiro episódio: as finais seriam disputadas nos dias 10 e 24 de novembro, sábados.

Nem o primeiro, nem o segundo jogo ocorreu nas datas previstas.

Torcida na Bombonera, Boca no vestiário, River no hotel: uma chuva descomunal caiu sobre Buenos Aires na tarde do dia 10 de novembro. Sem condições de jogo, a partida começou a ser adiada. Primeiramente por 30 minutos, depois por duas horas. Até que o veredito final decidiu: partida no dia seguinte.

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No domingo, após nova inspeção no gramado, a bola rolou. O jogo entregou tudo o que prometeu e, após os 90 minutos, igualdade no placar. Como a final não tem critério de desempate por gols marcados fora de casa, tudo seguiu em aberto para a segunda partida.

No dia 24, mais uma vez, a bola não rolou. Torcedores do River Plate receberam o ônibus dos jogadores rivais com uma chuva de pedras. Violência, confusão, jogadores feridos. A história se repetiu e ninguém entrou em campo. Jogo adiado mais uma vez para o dia seguinte.

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Desta vez, o caso foi mais sério. Com jogadores feridos e abalados, o Boca Juniors se recusou a jogar no Monumental de Núñez. Após briga judicial, especulações por todos os lados, e uma semana de atraso, uma decisão histórica: a final da Libertadores seria disputada no Santiago Bernanéu, em Madrid.

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No dia 9 de dezembro, finalmente, a segunda final da Libertadores deu seu ponta-pé inicial. Em Madrid, fora de seu habitat natural, com uma atmosfera longe de lembrar os grandes jogos de Libertadores, o River Plate virou para cima do Boca. Com dois gols na prorrogação, os Millonários levantaram o caneco pela quarta vez e colocaram fim à Copa Libertadores mais longa da história.

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